AULA 17 – MODULO 2 – PODE ÉTICA E CIDADANIA SER ENSINADAS
No vídeo aula 17 do curso do módulo II, o professor José Sérgio Carvalho, da Faculdade de Educação da USP abordou a temática da urgência do ensino da ética e cidadania na unidade escolar. Pudemos excursionar pelas discussões dos filósofos da Grécia antiga: da formação moral e ética, da formação da virtude, voltando a 2500 anos antes de Cristo.
Temos a idéia que formação moral da historia é algo recente, mas não é. Ouvimos muitas vezes que a escola passa do processo do ensino, para o assistencialismo: tipo a alimentação, responsabilidades que não as educacionais assumidas pelo professor, etc. Porém, isso não é nenhuma novidade, desde a Grécia antiga já se tinha essa responsabilidade, desde o tempo grego, vinculando vários itens como hoje. Em uma de suas citações Aristóteles afirma que a virtude e a bondade do homem são responsáveis por três fatores: a natureza, o hábito e a razão. Eles são os fins de nossa natureza, sendo necessário o cultivo de hábitos, onde o resto é obra do sistema educacional, que ensina o que a natureza falta: costumes adequados, causa das leis, que deve sim regular a educação, e torná-la publica, dever do estado.
Fala de natureza como caráter, estando sempre em equilíbrio, e não como o hábito que é reflexo condicionado, que vem de ethos, modo de vida, além da razão, capacidade de pensar argumentar e decidir. A ética deve ser formada, estruturada, reforçando a idéia da educação como complementação da natureza. De acordo com Aristóteles, somos formados para certos hábitos, complementando do que a natureza nos serve, formando para a virtude, que só a democracia irá formar cidadãos democráticos, não de outra forma. Ele diz que a Polis havia um interesse comum, grande necessidade da educação, formar pessoas boas, de caráter. Aristóteles não era uma voz isolada, havia muitos pensadores, como, havia diversos autores também, que discutiram os problemas, as tragédias. Questionava-se a necessidade de formar cidadãos virtuosos, onde ele acreditava formar, e que a virtude e algo ensinado e não hereditário, ao contrário do tempo antigo.
Para os gregos a excelência do guerreiro, era algo dado como uma dádiva, e não com treinamento, era algo herdado, e escolha dos deuses, algo que mudou nos nossos dias, e isso muda, quando os gregos partem e introduzem o regime democrático, partindo para a discussão, onde se cria a democracia, com direito a voz, a diálogo.
Vivemos na atualidade o problema parecido, pois, temos aquele saudosismo, que a escola do passado era boa, de qualidade, mas que atingia apenas uma minoria da população, pois, hoje temos uma escola para todos e isso realmente causa grande problemas, de convívio, socialização.
Na mesma aula foi citado Sócrates, que também tinha a mesma duvida, onde ele não acreditava que a virtude era ensinada, isso em suas discussões com sofistas da época. Em uma de seus relatos, diz que senão andava junto a Polis para melhorar a alma das pessoas, onde dizia que a virtude vinha os haveres e todos os outros bens particulares e públicos, e que conforme ä natureza do homem e que tenha negligenciado todos os próprios interesses, sofrendo ha tanto anos a conseqüência do abandono, para se ocupar do coletivo, tentando ser um pai e um irmão mais velho, para cuidar da virtude, dizendo isso em seu julgamento que o condenou a morte.
Quando ele fala em alma, ele fala na psique humana. O professor questiona que como alguém que dedicou toda sua vida, abandonando bens, dedicando a sociedade, como alguém que dedica que a vida na virtude, não acreditar que ela pode ser ensinada? Para confirmar isso o professor cita outro dizer, de outro livro de Sócrates, onde diz também que era um treinador de virtudes nos homens, e que ele não corrompia a juventude. Ele afirma que a sociedade não tem pessoas preparadas para ensinar virtude, e que em hipótese alguma o professor deve negligenciar esse ensino, e que é função sim do professor ter essa responsabilidade. Seguindo o ideário de Protágoras, que também fala que é mais necessário ensinar virtudes, e valores do que ler e escrever, dos costumes, da ética, que é seus valores que guiam suas condutas são práticas sociais, diárias, onde devemos reconhecer que a formação ética depende dos professores, mas não apenas eles e sim professores, igreja, mídia, onde todos devem, desde o porteiro ate à merendeira, e não apenas como uma grade, mas um jeito de se lidar com a vida onde todos nos temos essa responsabilidade. Protágoras afirma que os professores não ensinavam essa capacidade, onde só pensava em alfabetizar, ignorando as boas práticas, onde ele afirma que isso deveria trabalhar de uma forma vinculada e que isso não ocorria na época, dos deveres morais. A literatura cita vários exemplos ruins de virtude, e que o professor deve ter essa capacidade de sensibilização.
Como exemplo cita o professor de educação física, que ensina que o aluno a vencer, pela exigência, mas não da importância, como também da musica, expondo à boa musica e exemplos de musica.
Para finalizar a aula faz citações de Aristóteles, que diz que a virtude, a formação ética, recebe do ensino a geração e o desenvolvimento, a ética do habito, e que as virtudes não se geram por natureza, mas se geram em nos, nascidos para recebê-las e aperfeiçoando, melhorando, aprender a fazer. Não devemos ensinar apenas por falar assim fazendo não só definições, mas atos, posturas, não apenas como um ato informativo, como e hoje no processo escolar. Não se ensina a ser honesto, ensina praticas honestas para com os alunos, suas praticas, demonstrando seu valor, senso de justiça, não apenas por fala e moralismo, e que hábitos ruins como o preconceito o racismo também são ensinados de forma oculta, onde o professor deve ter um bom senso, ações, e que cargos pouco importam, mas as ações e posturas educam o mundo, ações sem obras são tiros sem balas, atroam, mas não o ferem.